domingo, 14 de outubro de 2018
Afeto
Hoje tudo me sensibiliza.
O Tio Sonho se despede deste mundo. O Tio Sonho é esposo da minha falecida tia Edilza, irmã da minha mãe. A tia chamava carinhosamente o tio de Sonho e eu, durante anos, pensei que Sonho era o seu nome. E, neste momento de partida ao desconhecido, me torno muito mais reflexiva.
Estou em Baires!
E Baires é o meu conhaque que Drummond externaliza no Poema das 7 faces, pq me deixa comovida como o diabo.
Estar em Baires me deixa sensível por tudo.
E escrever é a minha saída para organizar meus sentimentos.
Acredito piamente que minha última encarnação foi nesta cidade. Não sei explicar o quanto me sinto em casa. O quanto ando tranquilamente pelas suas ruas, converso com sua gente e me sinto mais integrante deste espaço. Olhar seus prédios, sentir o cheiro, provar da sua comida me remete a afetos desconhecidos, imemoriais. Contudo, que me pertencem, me constituem, me formam.
Baires é afeto! Tenho com essa cidade um caso particular de afeto. Viajei e viajo muito, acho que NYC seria um lugar no mundo pra mim, pq BA sempre foi casa, sempre foi ventre.
Aqui tenho pedaços do meu coração. Aqui tenho uma afilhada que amo com toda a força do meu espírito. Que me assombra, que me espanta o quanto sou amada de volta.
Aqui sou além do ser, sou uma entidade : La Madrina. Quase uma poderosa chefona.
Trocadilhos cinematográficos a parte, toda a vez que venho sou encharcada de afeto. Todos os gestos me emocionam, me sensibilizam, me desnudam.
Vejo nos sorrisos, nas brincadeiras e nas gentilezas a imensidão de afeto que recebo. E não há outra saída que não seja retribuí-lo.
E é sobre o afeto que tenho refletido muito.
Vivemos num mundo em que afeto é conhecido como fraqueza. Que demonstrar afeto genuíno e sem exigência é expressar debilidade. Quero mais que me achem débil, louca, fraca. Eu quero mergulhar em afeto.
Não tenho tempo para viver de aparências, de desperdiçar vida e energia em o que o outro vai pensar, em que as inimigas irão dizer, ou seja lá o que for. Eu quero distribuir aquilo que tenho de melhor, eu quero compartilhar as minhas crenças, construir pontes, fazer um mundo melhor. Não tenho tempo pra odiar o outro, pra alimentar discórdia, para cerrar portas e fechaduras.
Quero a cada dia mais viver inteiramente o que acredito. Quero compartilhar a minha fé no homem, na vida, no futuro, em Deus.
Quero estar perto dos meus afetos, quero me regojizar neles e quero compartilhar com todos aqueles que desejam fazer do mundo um lugar melhor pra TODOS, indistintamente!
Por isso que voltar a Baires me sensibiliza. Porque volto pra mim mesma. Me reorganizo, me reanimo. Me reencontro, me reassumo, me fortaleço.
Afeto é o que soluciona a minha existência, é o que solucionará nosso futuro.
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