Sim, o país tá um caos!
Sim, já bati boca no facebook com os reaças!
Sim, a cidade tá horrível e eu estou sem gasolina! Tô preocupada em como ir trabalhar amanhã! E depois em como voltar a noite da escola.
Tô preocupada com uma tonelada de coisas: minhas irmãs, meus irmãos, meu pai que tá longe, minha tia que tá com uma alergia que não passa.
Tô preocupada com os módulos da faculdade que estão atrasados, com as avaliações dos meus alunos que tenho que finalizar e depois corrigir. Com os exames que terei que fazer na próxima semana. Tô preocupada com meu inglês que estou com algumas aulas atrasadas. Me preocupa a entrevista para o doutorado. Tá próxima e ainda não me acho suficientemente preparada.
Mas o que mais me preocupa mesmo é o tantão de leituras que quero fazer e não consigo arranjar tempo! Ler por prazer e fruição. Hoje uma amiga me pediu emprestado um livro do Shakespeare.
Fui procurá-lo e me deparei com o livro Sábado do Ian McEwan. Eu amei Reparação, me deixou desassossegada. Comprei Sábado porque queria conhecer mais desse autor. Aí perto dele estava o meu livro de Contos da Clarice Lispector, uma edição linda que ganhei de presente do Thiaguinho há uns 3 anos. Aí fui olhando os meus livros, os que comprei recentemente, os que comprei há bastante tempo, os que ganhei... e me desesperei com tudo que quero ler e não tenho tempo! Fiquei pensando nos livros que tenho no Kindle! Todos os do Haruki Murakami!!! O livro do Humberto Eco que não consigo terminar! O da Chimamanda que tô doida querendo saber sobre a Ifemelu! E da Inês de Pedrosa, como vai ser o fim de Raul???!!!
Eu precisava de uns 2 meses de férias só pra ler o que quero de imediato. Ahhhhhh! Ahhhhh!
Talvez a sede de ficção que estou é pra ajudar a entender a realidade.
Seguimos.
terça-feira, 29 de maio de 2018
domingo, 20 de maio de 2018
Náuseas
Recentemente postei no twitter que estava nauseada com minha cidade, com meu estado e com meu país. Os rumos políticos, sociais e culturais me deixam a ponto de vomitar.
E no domingo passado, dia das mães, acabei vomitando horrores. 10 horas ininterruptas de vômitos! Acabei mandando msg pro meu médico que me encaminhou para o hospital. Fiquei internada de domingo a 3feira por uma infecção gastrointestinal. Meu médico foi um anjo, zeloso e cuidadoso! Quando cheguei ao hospital o médico plantonista sabia da minha chegada e do meu histórico, o laboratório já estava preparado para fazer meus exames e o corpo de enfermagem tinha conhecimento do que poderia ou não ter me acontecido.
Eu me sentia bem, só não conseguia parar de vomitar e, tão logo tomei o remédio na veia, os vômitos e as náuseas cessaram. Fiquei hospitalizada para reidratar e reintroduzir a alimentação. Foi importante isto, pois, mesmo me sentido normal, não posso esquecer que sou operada. E que há a necessidade de alguns cuidados.
O mais doido de tudo foi a forma como as direções das minhas escolas reagiram a isto. Duas delas preocupadas, mas confiantes e sabedoras da minha capacidade de realização e de responsabilidade comigo mesma. Contudo, a minha 3ª chefia explanou o quanto a minha vida era assoberbada, o quanto eu realizava de coisas e que eu deveria buscar auxílio psicólogico e diminuir as coisas que faço. Confesso que fiquei impactada com isto. Sou uma profissional extremamente responsável com o meu trabalho e, principalmente, com meus alunos. Tinha todas as minhas aulas preparadas.
Sim, faço muito! Trabalho 60h! Dou aula 13 turnos na semana ( 2f à 6f) e trabalho em alguns sábados. Nos 2 turnos que não dou aulas faço uma disciplina me preparando para o doutorado e assisto aula na graduação EAD em Filosofia que curso o 3º semestre. Juntamente a isto, sou ativa no Centro Espírita que frequento, sou membro da diretoria do Corpe, faço aula particular de inglês, estudo inglês online e me preparo para a prova de proficiência em espanhol. Tiro meus sábados pra estar com meus amigos, fazer um happy hour, um café, um almoço, cinema ou jantar, um showzinho.
Eu viajo nas férias, curto minha família e meus sobrinhos, auxilio o meu irmão com o vestibular. Preparo dois textos para publicação. Faço vários cabritos por fora: correção de redação, revisão ortográfica, aula particular, maquiagens, pesquisa literária remunerada. Sei dos meus limites e sei do meu potencial. Leio muito, acompanho séries. ouço músicas. Escrevo um blog. Há no mínimo dois fatores que me permitem tudo isto. Um grande fator é a minha Tia Irene. Eu não limpo casa, não cozinho, não lavo roupa, eu cuido apenas das minhas coisas pessoais. Ela assume tudo isto, não porque pedi, mas porque ela gosta. Outro fator: sou hiperativa! Canalizo minha energia para fazer coisas que gosto, realizar projetos e ser feliz. Não canalizo a minha energia para me meter na vida dos outros e criticá-los.
Como disse Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!
E no domingo passado, dia das mães, acabei vomitando horrores. 10 horas ininterruptas de vômitos! Acabei mandando msg pro meu médico que me encaminhou para o hospital. Fiquei internada de domingo a 3feira por uma infecção gastrointestinal. Meu médico foi um anjo, zeloso e cuidadoso! Quando cheguei ao hospital o médico plantonista sabia da minha chegada e do meu histórico, o laboratório já estava preparado para fazer meus exames e o corpo de enfermagem tinha conhecimento do que poderia ou não ter me acontecido.
Eu me sentia bem, só não conseguia parar de vomitar e, tão logo tomei o remédio na veia, os vômitos e as náuseas cessaram. Fiquei hospitalizada para reidratar e reintroduzir a alimentação. Foi importante isto, pois, mesmo me sentido normal, não posso esquecer que sou operada. E que há a necessidade de alguns cuidados.
O mais doido de tudo foi a forma como as direções das minhas escolas reagiram a isto. Duas delas preocupadas, mas confiantes e sabedoras da minha capacidade de realização e de responsabilidade comigo mesma. Contudo, a minha 3ª chefia explanou o quanto a minha vida era assoberbada, o quanto eu realizava de coisas e que eu deveria buscar auxílio psicólogico e diminuir as coisas que faço. Confesso que fiquei impactada com isto. Sou uma profissional extremamente responsável com o meu trabalho e, principalmente, com meus alunos. Tinha todas as minhas aulas preparadas.
Sim, faço muito! Trabalho 60h! Dou aula 13 turnos na semana ( 2f à 6f) e trabalho em alguns sábados. Nos 2 turnos que não dou aulas faço uma disciplina me preparando para o doutorado e assisto aula na graduação EAD em Filosofia que curso o 3º semestre. Juntamente a isto, sou ativa no Centro Espírita que frequento, sou membro da diretoria do Corpe, faço aula particular de inglês, estudo inglês online e me preparo para a prova de proficiência em espanhol. Tiro meus sábados pra estar com meus amigos, fazer um happy hour, um café, um almoço, cinema ou jantar, um showzinho.
Eu viajo nas férias, curto minha família e meus sobrinhos, auxilio o meu irmão com o vestibular. Preparo dois textos para publicação. Faço vários cabritos por fora: correção de redação, revisão ortográfica, aula particular, maquiagens, pesquisa literária remunerada. Sei dos meus limites e sei do meu potencial. Leio muito, acompanho séries. ouço músicas. Escrevo um blog. Há no mínimo dois fatores que me permitem tudo isto. Um grande fator é a minha Tia Irene. Eu não limpo casa, não cozinho, não lavo roupa, eu cuido apenas das minhas coisas pessoais. Ela assume tudo isto, não porque pedi, mas porque ela gosta. Outro fator: sou hiperativa! Canalizo minha energia para fazer coisas que gosto, realizar projetos e ser feliz. Não canalizo a minha energia para me meter na vida dos outros e criticá-los.
Como disse Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é!
sábado, 12 de maio de 2018
Fractais
Essa semana que passou foi uma montanha russa emocional.
Comecei a semana cansada. Terminei de dar aula no turno da tarde sentindo-me como se tivesse dado aula a semana toda e já estivéssemos na sexta-feira. .
Na 3 feira, dia 08, foi o aniversário de meu pai. Meu pai fez 75 anos. 75 anos. É tempo. É muito tempo. Meu pai vivenciou o final de uma guerra mundial, viu outras como a da Coréia, a do Vietnã, a do Golfo. Viu países nascerem e morrerem. Viu o homem chegar na lua. Viu a construção e a destruição do muro de Berlim. Viu com assombro o surgimento da TV e agora domina as redes sociais. Viu nosso país sair de uma economia totalmente agrária e se transformar em uma potência industrial. Viu esse país sair de um governo populista e democrático, para uma ditadura militar, viu o pais ser reaberto democraticamente. Viu o governo de um homem do povo para o povo. Viu a violência urbana quase chegar na estratosfera. Sofreu por inúmeras vezes a violência urbana.
Teve 4 filhos, adotou como seu o meu irmão mais velho. Está há 20 anos viúvo. Cruzou um oceano e realizou o sonho de caminhar por Paris. Ele fez tanto, ele viu muito.
Eu olho seus cabelos brancos, seu jeito serelepe e ativo e peço que o tempo passe devagar - despacito - para que eu possa encharcar a minha memória da sua risada, das suas piadas e dos seus sorrisos. Que eu possa mergulhar na sua história, na minha história e na dos meus irmãos contada por ele aos meus sobrinhos.
Quero minha memória tomada de lembranças, de cheiro de churrasco, de gosto de chimarrão ou da batida de banana com Nescau, de manhãs de domingo ouvindo e dançando bolero com minha mãe, comigo e com as minhas irmãs. Quero reviver as férias em Cidreira, as brincadeiras nas dunas de areia, as pescarias na lagoa. Quero que o tempo passe devagar, despacito. 75 anos é muito tempo. Me assusta a ideia de que ele está mais perto do fim.
Essa semana também foi difícil pois antecede o domingo do dia das mães. E já são 20 anos de saudades. Às vezes me pergunto onde foi parar esse tempo se a saudade que sinto dela é tão presente e latente. Eu me despedi dela hj pela manhã e logo mais a noite vou reencontrá-la. Me sinto em um looping de tempo, em algo meio que randômico esperando o dia passar para ela voltar pra casa, pra eu voltar pra casa e nos reencontrarmos e terminar de discutir o livro do Paulo Freire.
E esse danado tempo não passa, estacionou, e o único consolo é saber que o reencontro é certo.
E dentro de mim chove uma garoa fina e gelada, só para lembrar que está lá, como um grito sem barulho, seco.
Penso nos meus pais, penso nos meus irmãos e penso mim e me vem a teoria dos fractais. Somos o pequeno pedaço de um todo fragmentado. E, ao mesmo tempo, somos um pequeno fragmento isolado, inteiro, completo que reproduz a ideia do todo.
Carrego em mim o todo dos meus pais, mesmo eu sendo um fragmento desse todo. Mesmo eu sendo um fractal. Minha história não é linear, ela é cacos da história de minha mãe, de meu pai, de meus irmãos e dos meus parentes. Ela é um caco da minha memória e das memórias que antecederam a minha existência.
Comecei a semana cansada. Terminei de dar aula no turno da tarde sentindo-me como se tivesse dado aula a semana toda e já estivéssemos na sexta-feira. .
Na 3 feira, dia 08, foi o aniversário de meu pai. Meu pai fez 75 anos. 75 anos. É tempo. É muito tempo. Meu pai vivenciou o final de uma guerra mundial, viu outras como a da Coréia, a do Vietnã, a do Golfo. Viu países nascerem e morrerem. Viu o homem chegar na lua. Viu a construção e a destruição do muro de Berlim. Viu com assombro o surgimento da TV e agora domina as redes sociais. Viu nosso país sair de uma economia totalmente agrária e se transformar em uma potência industrial. Viu esse país sair de um governo populista e democrático, para uma ditadura militar, viu o pais ser reaberto democraticamente. Viu o governo de um homem do povo para o povo. Viu a violência urbana quase chegar na estratosfera. Sofreu por inúmeras vezes a violência urbana.
Teve 4 filhos, adotou como seu o meu irmão mais velho. Está há 20 anos viúvo. Cruzou um oceano e realizou o sonho de caminhar por Paris. Ele fez tanto, ele viu muito.
Eu olho seus cabelos brancos, seu jeito serelepe e ativo e peço que o tempo passe devagar - despacito - para que eu possa encharcar a minha memória da sua risada, das suas piadas e dos seus sorrisos. Que eu possa mergulhar na sua história, na minha história e na dos meus irmãos contada por ele aos meus sobrinhos.
Quero minha memória tomada de lembranças, de cheiro de churrasco, de gosto de chimarrão ou da batida de banana com Nescau, de manhãs de domingo ouvindo e dançando bolero com minha mãe, comigo e com as minhas irmãs. Quero reviver as férias em Cidreira, as brincadeiras nas dunas de areia, as pescarias na lagoa. Quero que o tempo passe devagar, despacito. 75 anos é muito tempo. Me assusta a ideia de que ele está mais perto do fim.
Essa semana também foi difícil pois antecede o domingo do dia das mães. E já são 20 anos de saudades. Às vezes me pergunto onde foi parar esse tempo se a saudade que sinto dela é tão presente e latente. Eu me despedi dela hj pela manhã e logo mais a noite vou reencontrá-la. Me sinto em um looping de tempo, em algo meio que randômico esperando o dia passar para ela voltar pra casa, pra eu voltar pra casa e nos reencontrarmos e terminar de discutir o livro do Paulo Freire.
E esse danado tempo não passa, estacionou, e o único consolo é saber que o reencontro é certo.
E dentro de mim chove uma garoa fina e gelada, só para lembrar que está lá, como um grito sem barulho, seco.
Penso nos meus pais, penso nos meus irmãos e penso mim e me vem a teoria dos fractais. Somos o pequeno pedaço de um todo fragmentado. E, ao mesmo tempo, somos um pequeno fragmento isolado, inteiro, completo que reproduz a ideia do todo.
Carrego em mim o todo dos meus pais, mesmo eu sendo um fragmento desse todo. Mesmo eu sendo um fractal. Minha história não é linear, ela é cacos da história de minha mãe, de meu pai, de meus irmãos e dos meus parentes. Ela é um caco da minha memória e das memórias que antecederam a minha existência.
terça-feira, 8 de maio de 2018
Eu já não sou a mesma...
Heráclito disse que o homem não se banha duas vezes no mesmo rio. Uma porque já não é o mesmo rio e outra porque também já não é o mesmo homem.
Sexta-feira passada tive uma reunião na minha primeira escola da RME de Porto Alegre. Meu último ano de trabalho nessa escola foi em 2010. Retornei diversas vezes como assessora pedagógica e como coordenadora da assessoria. Na última sexta-feira, voltei como professora.
Caminhei pelo pátio da escola com um estranhamento. Rememorei os espaços que frequentei, as salas de aula que lecionei, o laboratório de aprendizagem onde atendia os alunos com dificuldades. 10 anos da minha existência e de minha profissão foram gastos e vividos lá.
Retorno 8 anos após e não reconheço aquele espaço, como também não me reconheço. Parece que foi há tanto tempo que não fui eu. Me senti exilada dentro de minha própria narrativa de vida. Visitei um espaço que habitei diariamente durante 10 anos. E parecia que foi em outra vida. Bachelard diz que todo o espaço realmente habitado nos rememora a noção de casa, de lar.
Essa escola me ofereceu abrigo e afeto durante 10 anos, cujos quais tenho sensível sentimento de gratidão. Mas já não sou a mesma e a escola também. Já não estão mais meus alunos e grande parte dos meus colegas.
Esse estranhamento é avassalador, contudo, não há lástima, não há pena. Há a certeza de que cresci mais do que aquele espaço. Não caibo mais nele.
E retomando Heráclito, nada é permanente, exceto a mudança!
Reinvento-me!
Sexta-feira passada tive uma reunião na minha primeira escola da RME de Porto Alegre. Meu último ano de trabalho nessa escola foi em 2010. Retornei diversas vezes como assessora pedagógica e como coordenadora da assessoria. Na última sexta-feira, voltei como professora.
Caminhei pelo pátio da escola com um estranhamento. Rememorei os espaços que frequentei, as salas de aula que lecionei, o laboratório de aprendizagem onde atendia os alunos com dificuldades. 10 anos da minha existência e de minha profissão foram gastos e vividos lá.
Retorno 8 anos após e não reconheço aquele espaço, como também não me reconheço. Parece que foi há tanto tempo que não fui eu. Me senti exilada dentro de minha própria narrativa de vida. Visitei um espaço que habitei diariamente durante 10 anos. E parecia que foi em outra vida. Bachelard diz que todo o espaço realmente habitado nos rememora a noção de casa, de lar.
Essa escola me ofereceu abrigo e afeto durante 10 anos, cujos quais tenho sensível sentimento de gratidão. Mas já não sou a mesma e a escola também. Já não estão mais meus alunos e grande parte dos meus colegas.
Esse estranhamento é avassalador, contudo, não há lástima, não há pena. Há a certeza de que cresci mais do que aquele espaço. Não caibo mais nele.
E retomando Heráclito, nada é permanente, exceto a mudança!
Reinvento-me!
domingo, 6 de maio de 2018
Lembrete
Lembrete
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
Carlos Drummond de Andrade
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