Heráclito disse que o homem não se banha duas vezes no mesmo rio. Uma porque já não é o mesmo rio e outra porque também já não é o mesmo homem.
Sexta-feira passada tive uma reunião na minha primeira escola da RME de Porto Alegre. Meu último ano de trabalho nessa escola foi em 2010. Retornei diversas vezes como assessora pedagógica e como coordenadora da assessoria. Na última sexta-feira, voltei como professora.
Caminhei pelo pátio da escola com um estranhamento. Rememorei os espaços que frequentei, as salas de aula que lecionei, o laboratório de aprendizagem onde atendia os alunos com dificuldades. 10 anos da minha existência e de minha profissão foram gastos e vividos lá.
Retorno 8 anos após e não reconheço aquele espaço, como também não me reconheço. Parece que foi há tanto tempo que não fui eu. Me senti exilada dentro de minha própria narrativa de vida. Visitei um espaço que habitei diariamente durante 10 anos. E parecia que foi em outra vida. Bachelard diz que todo o espaço realmente habitado nos rememora a noção de casa, de lar.
Essa escola me ofereceu abrigo e afeto durante 10 anos, cujos quais tenho sensível sentimento de gratidão. Mas já não sou a mesma e a escola também. Já não estão mais meus alunos e grande parte dos meus colegas.
Esse estranhamento é avassalador, contudo, não há lástima, não há pena. Há a certeza de que cresci mais do que aquele espaço. Não caibo mais nele.
E retomando Heráclito, nada é permanente, exceto a mudança!
Reinvento-me!
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