domingo, 2 de setembro de 2018

Sobre amizades, liberdade e felicidade

Acho que a cada ano que passa tenho chegado mais perto da tal maturidade (ou não, como dirá um bom aquariano). Durante muitos anos eu me sentia como se ainda tivesse 15 anos. Uma eterna adolescente, muito mais reativa do que reflexiva. Não que isto seja algo de todo ruim, mas comecei a buscar quem eu realmente era. O que me mobiliza? o que me afeta? o que me sensibiliza? Talvez a grande pergunta filosófica: Quem eu sou? Talvez essa seja a maturidade, se conhecer e aceitar suas limitações e potencialidades. Não sou perfeita, estou longe disto! Sou desfocada, aérea, desatenta, esquecida, desorganizada, impulsiva, reativa, falo palavrão pra caralho, falo alto. Sou muito introspectiva, muito dentro do meu mundo. A maioria das vezes, eu nem percebo situações. E eu preciso me sentir livre, genuinamente livre.
Essa semana, um aluno que gosto muito (nem ele tem a dimensão do quanto eu gosto dele), me perguntou porque eu não era casada. E talvez seja aí o porque eu gosto muito dele, porque no melhor estilo Escritores da Liberdade, este aluno fez comigo o que a professora Erin faz com seu aluno André, em uma das cenas mais lindas do cinema, a professora diz para o aluno: Eu te vejo. O meu aluno me viu. 
A pergunta dele não era apenas superficial. E isto me sensibilizou. Ele não queria saber porque tantas pessoas casam, e eu não havia casado. Ele queria saber porque a liberdade era tão importante pra mim. Porque pertencer às pessoas, necessariamente, não quer dizer estar sempre junto, ter uma rotina, um cotidiano. E foi um papo bem legal, porque mais alunos sentaram perto e ficamos meio período falando sobre relações, sobre identidade, amizades e o amor num sentido amplo. Amar é deixar livre. Nesse papo, rendeu outro, pois um outro aluno (que também gosto muito, é um guri especial, de cabeça boa e de bom coração - eu levo muita fé nessa gurizada), pediu pra conversar comigo em particular. Queria me contar sobre situações com a namorada. Coisas pequenas, mas quando se é adolescente toma uma proporção gigantesca. Talvez essa tenha sido uma das melhores aulas que dei. Porque houve algo tão necessário no mundo de hoje, reconhecer o outro e reconhecer-se no outro. No momento eu era a professora deles, mas também um ser humano de saberes, de vivido, de troca, de comunhão. Houve ali um momento de profundo afeto e amizade. 
E os meus afetos passam pelas amizades que cultivo. 
Meus irmãos  e meus amigos são meu esteio. São meu eixo e meu mundo. Essa semana eu senti muita falta dos meus irmãos, falta do cheiro, do abraço, da voz, do sorriso, da risada. Eu tenho muitos irmãos e muitos amigos  (GRAÇAS A DEUS). Tenho amigos pequenos. Tenho amigos velhos, tenho amigos de todas as cores e idades. De diferentes classes sociais.  De diferentes profissões. Preciosos amigos espirituais. Amigos que vejo sempre, amigos que faz tempo que não vejo. Amigos que vivem do outro lado do mundo. Amigos que eu ainda nem conheci. 
E, talvez, essa seja um indício de maturidade, cultivar amizades. Porque escolho aproveitar meu tempo, compartilhar vida com eles.
Passei um pedaço do final de semana em Torres com um grupo de amigas que se tornaram eixo gravitacional na minha vida. Somos todas professoras, trabalhamos todas na RME de Porto Alegre. Algumas conheço há muitos anos, antes mesmo de entrar na prefeitura de POA. Todas nos reencontramos quando orientadoras do PACTO pela Alfabetização na Idade Certa em 2014. E, desde 2015, sem falhar, nos encontramos religiosamente todos os meses. Não importa se tem greve dos caminhoneiros ou chuva de meteoros ou se estamos em outro continente, temos encontro do PAQUITO.  A relação que construímos é de sanidade e afeto. Fazemos novas articulações, engenharia temporal e familiar, mas nos encontramos. Porque é uma relação de amizade, de afeto, de sororidade, de companheirismo, de amizade. É uma relação de amor. Porque nosso encontros mensais de 2h ou 3h, é estarmos bem. Olho nossas fotos juntas e tem um brilho especial, uma energia que transcende, um sorriso mais autêntico. Um momento mais feliz de vida, um momento de liberdade. 
Amar é ser livre. 
Eu estou bem com as escolhas que tenho feito pra minha vida. Sejam elas profissionais, pessoais, políticas. E acho que isto é maturidade. Saber o porquê, entendê-lo, escolhê-lo e aceitá-lo.
Sou feliz com a pele que visto. Sou feliz com a vida que tenho. Sou feliz com os amigos que tenho. Sou feliz. Sou livre. E isto é imensidão. 

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