Em 1º de setembro de 2017 faleceu a minha última tia viva. Irmã de minha mãe. Tia Edilza faleceu com 69 anos de infarto agudo do miocárdio. Isto aconteceu com minha mãe em 1998, aos 52 anos. Com minha vó em 2001, com minha outra tia no Natal de 2014. A morte da minha tia, além de trazer uma imensa tristeza e saudade na família, pois era uma mulher iluminada e bondosa, fez um hecatombe em mim. Minha tia era daquelas pessoas que tinha a casa sempre cheia de amigos, que conhecia muita gente, que sempre estava disposta pra conversar, rir, dançar e brincar. Sua partida é sentida por todos.
A partida da minha tia me elevou ao cargo de mulher mais velha da família, geneticamente falando. Eu sou a primeira neta. Depois da geração das minha mãe e das minhas tias, eu sou a primeira mulher da geração seguinte. Estava com 41 anos, num ano difícil profissional e emocionalmente.
Fiquei aquele setembro pensando no quanto tempo de vida teria se seguisse o rumo que minha saúde estava tomando. Estava gorda e insatisfeita com os rumos profissionais que se desenhavam no horizonte. Não tinha desafios. Só muito trabalho. Comecei a pensar com maior seriedade na gastroplastia, na cirurgia de redução de estômago.
E sempre foi muito dificultoso trabalhar com essa possibilidade, afinal sempre fui ativa, corria, nadava, envolvida em muitas coisas, viajando. Por um tempo coloquei a culpa nas chegada dos 40. Mas a grande verdade era que eu estava muito mais gorda que já estive uma vez na vida, sentia muitas dores no corpo e as pessoas quando me perguntavam como eu estava, eu respondia: "Cansada!" Logo eu!!!
Comecei então anonimamente a buscar médicos, procurar sites, ler depoimentos a estudar sobre o assunto. Agendei consultas. Do nada minha irmã caçula me enviou uma mensagem via WhatsApp perguntando pq não fazia a redução. Então contei a ela que estava procurando saber mais. Não falei e não comentei com as pessoas porque não queria a cobrança de que deveria, ao final do processo, fazer a cirurgia. E eu não sabia ainda se era o que eu queria. Eu estava buscando alternativas para o meu problema com o peso, pois dieta e atividades físicas não estavam adiantando. Visitei ao todo 7 grupos médicos. Achei quase todos uma máfia. Uma forma de ganhar dinheiro com os obesos. Capitalismo é foda. Não importa nada a não ser o lucro. No penúltimo grupo que visitei, a conversa com o médico foi muito maravilhosa. Cheguei do meu jeito todo aquariano de ser: na voadeira. Disse que achava uma máfia: que faziam terrorismo com os pacientes, que era muito caro, que não entendia o pagar particular, se meu plano de saúde cobria tudo. Disse para o médico que minha preocupação em fazer a cirurgia não era estético ou problema com a minha estima. Eu sempre me achei bonita, legal, aceita, etc. Mas que não queria ter o fim que minha mãe teve. Eu queria viver mais do que os 10 anos que ela viveu. Essa era a diferença de idade em que estava e a idade que ela faleceu. Fiquei quase 2 horas no consultório e o médico de uma atitude de excelência. Saí de lá convencida a fazer a cirurgia. Embora a máfia continue existindo.
Tinha uma consulta com o Dr. Igor Wolwack Jr, no dia 07 de novembro. já estava decidida a fazer a cirurgia com o médico da última consulta. Mas o Dr. Igor foi de uma doçura e de uma simplicidade emocionante. E me apresentou as mesmas coisas que o doutor anterior apresentara, sem a máfia. Ou melhor, com a máfia absorvida no meu plano de saúde. Poderia realizar todo o tratamento por meio do plano e não apenas particular.
No dia 11 de dezembro de 2017 realizei a cirurgia no Hospital da Brigada Militar. Transcorreu tudo tranquilamente, como tem transcorrido neste últimos 6 meses.
Hoje estive em consulta médica com a geriatra da equipe do Dr. Igor. Eliminei 32 kg, Meus exames estão excelentes, sem qualquer perda vitamínica e com raríssimas alterações alimentares (tenho dificuldade de comer peito de frango, é muito seco pra comer, então prefiro comer a sobrecoxa).
Como o doutor havia me dito naquela consulta epifânica, ele não poderia me garantir mais 10 anos de vida, ou 20 ou 30 ou 50 anos. Mas ele me garantiu que viveria com qualidade.
E vivo. Sinto muito mais disposta, sem dores, dormindo melhor, me sentindo melhor, podendo realizar com prazer as coisas que gosto e colocando desafios na minha vida. E essa semana, em vias de realizar a entrevista para o doutorado. Estou ativa, alerta, feliz com a possibilidade de voltar a universidade e de seguir estudando. Com novas rotas de viagens. Com novos planos de vida. Continuo feliz e muito mais bonita! E esse planeta tá ficando pequeno!
É isso 6 meses! Até na morte minha tia foi generosa comigo.
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