terça-feira, 19 de junho de 2018

Mulheres

Assombro!
Hoje é 19 de junho de 2018! Estamos no século 21 e a humanidade ainda pratica atos inomináveis com as mulheres.
Viralizou um vídeo em que homens brasileiros, jovens, bem sucedidos, políticos, policiais, advogados em atitudes misóginas e desrespeitosas com uma jovem russa na Copa do Mundo.
Eu, como mulher e como brasileira me senti desrespeitada, violentada com aquela atitude machista e degradante  da nossa condição humana.
Observei em seus sorrisos que aqueles rapazes possuem a convicção de que a justiça é tendenciosa, invigilante e a impunidade é certa.  O peso que temos em nossas  costas com as atrocidades cometidas com mulheres ao longo da história da humanidade é incalculável. E, ainda hoje, elas seguem sendo praticadas em todos os cantos do mundo. Não importa o nível de desenvolvimento econômico, o IDH ou a quantidade de museus em suas cidades.
Por exemplo: a condição da mulher negra no Estados Unidos. O recém lançado clip da Beyoncé, Apeshit,  é uma crítica pungente a cultura branca em detrimento a representação da cultura negra. No início do ano a Beyoncé perdeu o Grammy de melhor álbum para Adele.  E não foi não por sua capacidade musical, que é indiscutível mas, única e exclusivamente pela  cor de sua pele.  Quanto mais desenvolvida é a cultura, mais perversa é a sua capacidade de mascarar a misoginia.
Outra situação: Na Espanha a justiça, em uma sentença completamente discutível, condenou os estupradores "La Manada" por abuso sexual e não por violência sexual, possibilitando aos condenados uma pena mais branda. E assim mantendo o status quo de uma sociedade patriarcal.
 Outro exemplo para ilustrar: Embora seja proibido e condenado pela ONU, a circuncisão feminina é prática comum em alguns países africanos e asiáticos. Principalmente em países onde a religião muçulmana impera. Hoje mais de 80% de meninas com até 15 anos  sofreram a ablação genital parcial ou total. Em alguns países esse índice chega a quase sua totalidade.
Mais um exemplo: O Brasil é o 7º país no mundo mais violento para mulheres. No Brasil há cada 2h morre uma mulher vítima de Feminicídio.
Aqueles jovens brasileiros talvez sejam eleitos em outubro, talvez passem em concursos pra juiz e assim contribuirão para perpetuar um patriarcado opressor e violento.  Pra agravar a situação, esses jovens são do norte e do nordeste do país onde a desigualdade social é imensa e meninas são vendidas para abrandar a fome de seus familiares. Recentemente um policial do norte do país foi preso por pedofilia com uma menina de 11 anos. 11 anos. Mas o mais aterrador da situação são o comentário de mulheres criticando a menina de 11 anos (repito: 11 anos) por ter dado mole para o policial. Os comentários dessas mulheres são ignóbeis. 
Eu passo minhas tarde de trabalho com meninas de 11 anos. Elas são lindas, espertas, inteligentes, alegres, curiosas. São valentes. Elas não estão interessadas em policiais de mais de 30 anos. Mas a educação que recebemos é tão mutiladora que mulheres acreditam que meninas de 11 anos se oferecem aos homens.Oi?
As mulheres são tão oprimidas que se julgam culpadas pelo desejo que um homem pode sentir por elas. Aquilo que ele sente é responsabilidade dele, assim como suas ações. 
Em 2014, também na Copa do Mundo, homens como aqueles jovens, puxaram um coro tão hediondo quanto o vídeo com a moça russa. Eles mandaram a sua presidente tomar no cu. 
Mesmo que esse cenário local e global me entristeça, ao lembrar de minhas alunas de 11 anos tão cheias de vida, ao olhar para minha sobrinha e minhas afilhadas eu tenho uma raiva tão grande que não vejo outro caminho que não seja tentar construir um futuro diferente. E torno essa raiva em energia, uso ela como combustível para promover fissuras nesses discursos misóginos, para produzir outros discursos, na perspectiva foucaultiana, pra produzir novas relações de poder, onde  a sororidade seja substantivo simples e comum de tão corriqueiro que será e o feminismo  substantivo derivado de ações justas, igualitárias e que nos tornem mais humanos.

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