Dura realidade, mas eu não sei mesmo!
Não que esse seja um conhecimento que me faça falta.
Uma amiga me disse recentemente: "Tu fica super bem sozinha, eu te admiro por isso. Tu és feliz sem alguém". Alguns anos atrás ouvi algo semelhante de uma outra amiga, mas em forma de pergunta.
Não organizei a minha vida porque queria estar sozinha. Isso se a gente consegue planejar a vida, eu tenho lá minhas dúvidas... Acho que planejamos algumas coisas, a maioria dos eventos da nossa vida não! A gente a vive simplesmente.
Tive alguns namoros, me apaixonei algumas vezes. Infelizmente não deu o certo para sempre. Deram certo por algum tempo.
Contudo, nunca foi empecilho fazer o que gostaria de fazer por estar ou não com alguém. Eu saio sozinha, eu vou ao cinema sozinha, eu gosto de viajar sozinha, eu vou ao estádio sozinha, eu vou a shows sozinha. Como também gosto de fazer tudo isto acompanhada.
Por que falo sobre isto? Porque algo inusitado me ocorreu essa semana.
Prometi no início do ano presentear um colega da faculdade com um livro que tenho duplicado. A gente sempre trocou algumas mensagens via wsp mas, para mim, na camaradagem. Nunca interpretei isto como paquera (continuo não interpretando!). Aquela comunidade do tempo do Orkut: ¨eu sou legal, não estou te dando mole". O orkut tinha uma outra que eu adorava, "eu sinto vergonha pelos outros", tão atual e tão necessária.
Nesta semana o colega me enviou algumas mensagens, pedindo para analisar a proposta de alguns cursos que estava a fim de fazer e tal. E eu dei minha opinião. Conversamos sobre alguns autores e filósofos. Ele me lembrou de levar o livro prometido na aula.
Na sexta-feira nos encontramos, entreguei o livro. Tínhamos apresentação de seminários. Assim que finalizamos a apresentação ele me convidou pra sair da sala, pra conversarmos. Eu, como não entendi o motivo, não saí da aula. Assim que a aula terminou ele me cobrou o porque não havia saído. Para mim era óbvio, eu estava assistindo a aula.
Quando a aula terminou, estávamos cotizando caronas e esse colega se ofereceu pra me dar uma carona. Eu já tinha conseguido uma carona com outro colega. Aí esse outro colega perguntou a ele: Tu moras onde (com o intuito - acho eu - de dividir caronas)? E ele respondeu: "aqui mesmo, mas vou levá-la". Aí esse outro colega diz ironicamente: Ah tá bom, a gasolina tá super barata, não tá frio, não tá tarde pra tu ficar dando carona e além disso indo até Porto Alegre!
Silêncio! Só quando a situação foi explicitada pelo meu outro colega que a grande ficha caiu!
Eu agradeci e aleguei que tinha um outro compromisso (o que era verdade!).
Eu sei que sou uma pessoa tri legal e tri bacana, mas acho que só meus irmãos seriam capazes de 22h da noite de uma sexta-feira fria pra caramba sair de uma cidade a outra apenas pra me dar uma carona exclusiva?
Outra situação:
Alguns meses atrás reencontrei um ex-namorado no Shopping. Tinha ido ao super e estava saindo de lá, já até havia chamado o Uber. Ele passou por mim, parou e ficou sorrindo. Eu, como TDAH por excelência - desligada e desfocada - olhei e fiquei pensando: eu conheço? da onde? Aqueles 15 segundos de pânico, quando a pessoa te cumprimenta e tu não lembra. Aí me dei conta quem era, cumprimentei, abracei, perguntei sobre a família e tal. Fui educada e sociável, genuinamente, é uma pessoa que quero bem. Mas sabe quando teu passado se apresenta na tua frente e parece que não é teu. Ficou acariciando meu braço, segurando a minha mão, querendo saber de mim, da minha família e tal e perguntando se eu estava com pressa. Sim eu estava com pressa. Não percebi que queria continuar a conversa, só me dei conta disto quando contei pra minha terapeuta. Eu estava mais impactada por não o ter reconhecido que nem percebi o interesse que ele explicitou.
Outro caso:
Eu tinha sei lá... uns 12, 13 anos e tínhamos uma turma de amigos, todos da vizinhança. Eu ainda os tenho. Eu, muito moleca, vivia no meio dos guris. Eu sempre gostei de futebol, e a paixão pelo Inter me unia aos meninos. Certo dia, uma vizinha mais velha que eu uns 7 anos, observando a gente brincando na frente de casa, me disse: "o fulano tá a fim de ti". Eu achei a coisa mais absurda do mundo. Bem capaz, o fulano é meu amigo. Alguns dias depois o fulano se declarou pra mim e pediu pra me namorar. E pra mim aquilo foi muito fora de propósito, éramos amigos, gostávamos de futebol, do Inter. Eu não queria namorar ninguém. E hoje adulta ao relembrar isto, ainda me pergunto como ela identificou. Porque eu nunca percebi nada. Eu só sei que houve um interesse porque ele me disse, porque eu nunca percebi.
Então, essa é a verdade, sou incompetente em paquera. Não vejo/escuto/percebo os sinais. Só quando são explícitos!
A tirinha do argentino Liniers expressa um pouco a minha situação!

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