segunda-feira, 18 de junho de 2018

Mar Cidreirense

As redes sociais estão cheias divulgando um filme francês intitulado Os 50 são os novos 30. Aí lembrei de um texto que fiz quando estava perto de fazer 40 anos. 
Estava preocupada com os 40 anos, enchei a boca e alma esse número: 40!  Quando falei pra minha terapeuta* a minha preocupação ela me disse: Nem te preocupa, os 40 são os novos 20!
Segue, outro tema!
Na hora, eu fiquei meio revoltada com ela, porque não estava dando atenção a minha crise! Hoje dou risada, e ela tinha toda a razão. Há coisas mais profundas pra gerar crise que celebrar 40 anos. 
Mas o texto que escrevi se chamava Mar Cidreirense. Cidreira é uma praia do litoral norte do RS. Sem atrativos, com um mar chocolate e gelado. Porém, domina meu coração com uma força absurda. Cidreira me traz boas e doces memórias. Passei os verões em Cidreira. Meus aniversários, os carnavais, meu primeiro porre, minha primeira transa. Um carnaval surreal e guardado como relíquia...

Segue o texto:

Minhas reflexões sobre eu mesma enquanto retorno pra casa: Eu sempre quis ser  mar caribenho, por sua transparência, beleza e calmaria. Mas a verdade é que sou autêntico mar cidreirense. Por ser revolto, escuro e local. Mar caribenho é transparente por causa de suas algas, mas que são efêmeras e frágeis. Cheio de recortes suas águas dão aparência de calma, mas de se seu solo origina inúmeros abalos sísmicos de imenso poder destrutivo. Prefiro ser mar cidreirense: inquieto, ativo, escuro devido a alta produtividade de suas algas. Local, porque é onde minha família e meus amigos encontram paz. Prefiro ser mar cidreirense, porque é mar aberto, extenso, profundo. Porque na verdade é oceano, não mar.

E os 40? estão realmente sendo os novos 20!

* (Fiz terapia por um tempo, após sofrer novamente um assalto que me imobilizava sair e chegar em casa e me impedia de dirigir a noite, mas isto é tema para um post futuro).

Nenhum comentário:

Postar um comentário