domingo, 10 de junho de 2018

Noite de Meninas de Família

Marjane Satrapi escreveu um livro bárbaro, em forma de  HQ, chamado Persépolis. Ele é sua autobiografia. A forma como ela descreve a vida da mulher iraniana dentro do regime Xiita é assustador para nós mulheres em pleno século XXI. Estamos falando de 30, 40 anos atrás. Isto em um tempo histórico é nada, é horas atrás. Outro livro dela também de cunho autobiográfico é Bordados. Bordados é um livro que fala especificamente sobre as mulheres da família Satrapi. Em momentos de conversa, fortalecimento e compartilhamento. Embora a palavra não seja usada na obra, sororidade é algo que circunda aquelas mulheres reunidas tomando samovar. Marjane Satrapi era uma menina de 10 anos, responsável pro produzir o chá que seria tomado, enquanto os homens faziam a sesta. Participar desses momentos dão a autora uma memória afetiva e simbólica potente, capaz de romper com a cultura machista iraniana.
Meio que inconsciente propus as mulheres da minha família que pudéssemos nos encontrar, de foma mensal ou um pouco mais, um jantar em que pudéssemos conversar sobre nós, sobre o feminino, sobre nossos únicos e exclusivos assuntos e que com tudo isso pudéssemos nos fortalecer e divertir. Eu já faço isto com um grupo de amigas, professoras, que formamos por um trabalho que fizemos em conjunto. Religiosamente, há 3 anos, nos encontramos mensalmente. 
Surgiu então, há mais de um ano, a Noite de Meninas de Família. E, é muito importante que minha sobrinha, hoje com 6 anos, participe desses momentos. Que ela possa se fortalecer com o exemplo de mulheres tão da porra como as de sua família.  
Não há nada de mais nesses encontros: nos arrumamos, preparamos comidinhas, bebemos espumantes, conversamos, rimos, cantamos e dançamos. Tornamos a alma mais leve, a vida mais suave, porque não estamos sozinhas, temos parceria e irmandade para compartilhar a estrada. 
Ontem foi mais um desses encontros. Não há palavras pra descrever o quanto esses momentos são reenergizantes, fortalecedores e humanizadores. A gente leva a vida tão na velocidade, tão na rapidez que esses momentos de parar e desfrutar a companhia umas das outras são essenciais.
Esse encontro não se restringe apenas a um laço sanguíneo como o das minhas irmãs e minha sobrinha, ou de casamento como o das minhas cunhadas, mas ao laço amoroso da amizade e da nossa condição de mulher e, por isso, participam amigas, sogras, concunhadas, vizinhas. Sempre são convidadas!

Ontem o encontro foi aqui em casa e, embora eu ainda esteja limitada com a bebida alcoólica, tomar suco de uva em taça tem ajudado a enganar o cérebro. Continuo adorando uma taça de vinho carménère ou tempranillo ou um espumantezinho... beber com amigas é saudável e salutar...
Quero que o nosso exemplo também fortaleça os homens da minha família, que eles busquem mais apoio e parceria um com o outro. Que possam se reunir não só pra um churrasco ou um campeonato de vídeo game, ou assistir um jogo em conjunto. Mas que possam também se reunir, sei lá pra fazer um som! Pra sorrir e estarem juntos! A gente tem tão pouco tempo pra estar com quem se ama... essa questão do tempo é algo que tem me mobilizado também... tenho pensado muito nisto...

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