quarta-feira, 27 de junho de 2018

Do jeito que elas querem

Acabei de chegar do cinema.
Fomos assistir Do jeito que elas querem, direção de Bill Holderman. A princípio e, pelo o nome, achei que o filme seria fraco. Mas nas primeiras cenas a risada é certa.
O filme conta a história de 4 amigas que há 40 anos se encontram todo o mês a fim de discutir um livro literário, o clube do livro (a ideia me seduz muito: tenho um grupo de amigas que religiosamente há 3 anos nos encontramos mensalmente!).
Uma das personagens, interpretada por Jane Fonda, sugere que elas leiam 50 tons de cinza de E. L. James. Fica-se ressabiado de que o filme vá girar em torno disto e que caia no nicho mais erótico/comercial. A verdade que o livro traz a essas mulheres (como trouxe para mais de 50 milhões de leitoras) a possibilidade de romper com paradigmas cristalizados. Aí talvez alguns podem pensar que esse seja um filme para mulheres encalhadas. Grande engano. 
O filme aborda muitas coisas, mas traz luz a uma parcela da população que só está sendo vista pela reforma da previdência. Homens e mulheres com mais de 60 anos. São humanos como nós. Com desejos, sonhos, medos, traumas. 
Fomos educados a ver a velhice como algo decadente e problemático. Decadente porque vimos o velho como algo caquético e derrocado e problemático pois é um fardo para os "jovens" (eu que sou responsável por dois jovens idosos me identifiquei horrores com as filhas da personagem interpretada pela Diane Keaton). Vemos um velho e sentimos pena: - "olha como está acabado". 
Fomos treinados a ver seca e deserto  na velhice e, em realidade, há intensa produtividade e vida. Os velhos, ou maiores de 60 anos, tem consciência de que o fim está mais próximo, mas isto não quer dizer que desejem sentar e ver a morte chegar. Que ela chegue, porque vai chegar para todos nós, mas que nos arrebate dançando, viajando, transando, rindo, cozinhando, lendo, amando, vivendo plenamente. 
Meu pai fez 75 anos e é tão serelepe e cheio de energia que ás vezes me assusta. Uma vez, em que conversávamos sobre a questão da velhice, ele me disse:
- "Esse velho que vejo no espelho eu não o reconheço. Ele não sou eu. Eu tenho uma energia e uma vontade de viver a vida que esse corpo não traduz. Eu sou jovem."
Fiquei pensando o quanto de poda faço no meu pai e na minha tia e o quanto de preconceitos e pré-conceitos (como diria Caetano) sou atravessada. O quanto a lei do mercado busca nessa faixa da população um mercado consumidor também, afinal são pessoas que consomem e que, com uma vida mais estabilizada, podem gastar.
Fica a dica do filme, fica a dica do livro também. O filme é leve e reflexivo (ainda mais quando ele enfatiza de que nunca se é tarde para realizar sonhos) Já os livros de E. L. James estão longe de ser uma leitura de excelência, mas pode-se divertir muito lendo-o ou aplicando suas sugestões. 

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